Contos e crônicas sobre tipos interessantes, causos e lugares conhecidos durante mais de 40 anos viajando sobre motos, barcos de pesca e botinas. Colaboram cariocas, coroas nascidos nos anos 40 e que se recusam a pendurar a mochila.

Terça-feira, Agosto 31, 2004

COBRA CRIADA

Não me apraz esse negocio de fazer a elegia do crime no Rio, mas ao mesmo tempo também não acho que seja muito diferente nas outras grandes cidades do Planetinha.
Tenho um grande amigo chamado Chico Paladino (não é apelido não...é nome mesmo) que 10 minutos depois de elogiar a cidade modernosa ... foi assaltado comigo dentro de um bus de turismo... em plena Chicago e não faz muito tempo não.
Então resolvi contar mais algumas da lavra do banditismo chez RJ sem medo de achar que alimento neura.

Eu fui criado solto na rua e sempre me senti à vontade de andar nos lugares bem e nos mal frequentados, sem ligar muito para a neura vigente.
Talvez fosse fruto da irresponsabilidade da época, ou por não estar arriscando a família, possa ser , mas no fundo no fundo, eu contava era com a minha malandro-bagagem. Eu pressinto até hoje uma cagada a 50 metros, mesmo antes dela se revelar e a minha moleco-adrenalina já está apitando a mil.

O que realmente me incomoda ao ser assaltado... é o "ter sido menos malandro" que o malandro, isto sim me tira do sério.

PRIMEIRO ATO

Ahhhhh.... então até o herói já foi enquadrado na estatística? Já mesirmanos... já... 2 vezes e em ambas eu fiz a besteira de reagir.

Em ambas eu me dei bem, mais por sorte do que por competência eu sei.
Em uma delas desarmei o vagabundo, que já sentado na minha motocicleta elogiava a minha calma e se preparava para zarpar levando minha Cb-zinha 400 novinha... mas que na virada do placar, acabou em vez disso deixando comigo seu Sw-zinho 32 carga dupla cromadinho.

Consegui sair dali voando baixo e pilotando com sua artilharia na mão, convencido que o carinha podia ser do bairro e viria atrás do prejuizo (Pavuna...é mole?!).
Só parei a 20 km dali...dentro da Bob´s de Ramos. A canela tremia tanto que eu já não passava nem as marchas.

Minha próxima hora foi gasta fazendo hora, acalmando a tremedeira e trucidando dois sundaes de morango tamanho familis com tudo em cima de opcional melado. Eu sou assim cara... açúcar me acalma. Durante muito tempo só a minha filha soube, porque estava na porta quanto cheguei e porque basta olhar na minha cara que sabe quando eu armei alguma. Isto ela herdou da Avó.

SEGUNDO ATO

Alguns meses depois desta demo de valentia barata, eu estava voltando de um cinema (talvez às 4 da tarde) com minha escudeira na garupa. Nesta época ela era boa disto.
Já entrando no Tunel Novo... quando na Princeza Isabel minha adrena cresceu lá no foco de um opala creme com 4 caras dentro.
Isto porque o passageiro de trás do motorista agitou-se além da conta e já me encarando. Quando ele me apontou eu o reconheci de estalo.Era o vagaba que eu expropriei de ferramenta de trabalho mês e meio antes. Agora trazia a equipe toda!
Foi só o tempo de avisar o pessoal da popa : - Segura bem ahe que eu vou voar! E sem maiores explicações...

Minha mulher também teve sua dose de 68 e também sofre de malandragem latente residual ... nestas horas não faz muita pergunta mas sempre age como se estivesse ensaiada para o lance. Talvez até por isto temos netos... jamais saberemos.

Mas se a velhice nossa é tranqüila... é muito mais do que poder-se-ia dizer da nossa juventude né?
Nessa época o menos esperto dava nó em pingo dágua para sobreviver.

A estratégia então (voltando à novela) foi abrir fartamente o gás dos dois carburadores e sair na frente dos meninos da infantaria motorizada, que também dispararam no meu encalço Túnel adentro.
Nesta época havia uma guarita de PMs cativos bem na entrada da Urca ,(tudo personal brutamontes) e era ali que eu planejei entrar com moto, mulher e tudo.
Bem mapeados na geografia dos campos de caça, os bandidos fizeram como o Leão da Montanha... saíram pela esquerda, provavelmente ganhando o aterro com o gas igualmente aberto. Demos sorte os dois. Podiamos ter sido abatidos facilmente se meu radar estivesse desligado. Coisas do Anjo acredito.

Se no primeiro tempo dessa estória eu engoli litro e meio de morangos assim assim... nesse dia eu e ela encarávamos molinho um galão cada um.
O único problema, seria achar um orifício natural aberto para absorve-los... tava tudo apertadinho apertadinho! Não passava nem o sorvete... que dirá o moranguinho!

Crianças... não repitam estas coisas em casa... muito menos hoje em dia. Nossa artrite de hoje cresce em razão direta ao armamento da garotada. Hoje ... dificilmente a gente escaparia para provar morango again.

VIDA LONGA & PROSPERIDADE! ( Dr. Spock)

Ou um conselho mais carioca... que me ocorre sem royalties à Holywood:

CU DE MALANDRO MISINFI... SÓ TEM SAÍDA! (Moreira da Silva)





Domingo, Agosto 29, 2004


JANELA PRO CRIME

Aqui sentado, lendo os comentários e esperando a idéia, deparei-me com essa questão da fama merecida que o Rio tem.
Aliás faço um preâmbulo informativo aqui. Na brincadeira, inicialmente, mas agora a informação é quente: um colete à prova de tiros, de penúltima geração, custa em torno de 15.000 reais e apesar de ser segunda mão, é zero bala... no concreto e no abstrato.
A má notícia é essa mesma... já é de segunda geração.

O que me ocorreu mesmo é que existe, por trás desta coisa toda, uma indústria emergente de novas tecnologias de segurança, que periga aumentar a oferta de emprego a níveis assustadores, que podem desgraçadamente reduzir (via social) os interessantes e crescentes índices de criminalidade. Seria um círculo virtuoso de utilidades discutíveis sobre o ponto de vista do "market-crimming". Atenção meus personais detratores literários... caiam de pau na boa que já vesti meu colete à prova de cacete.

O fato é que estes gadgets e seguradoras dependem horrores do horror.

Se você entra em uma war-boutique, daquelas de Sampa, que instala vidros e outros parangolés blindados, vai se deparar com um mostruário de corpos de prova varados à bala e resistentes à chuva de tiros dos mais variados. Todos dados pelas armas portáteis mais corriqueiras e também munidos de estórias cebeludésimas, a estofar + de terror, o já combalido espirito do futuro Cliente.

Há também uma atualização constante de estatísticas criminais do eixo Rio-Sampa, que prevêem o up-date dos armamentos recém adquiridos pelo lado negro da força, como se a troca destes informes tecnológicos fosse assim constante e instantaneamente feita ali mesmo, na beirola das trincheiras.

Parece ficção, né? Então segura esta que não é.

Vocês que me conhecem, sabem que profissionalmente sou uma pessoa bem informada no que tange a plásticos... e aqueles que já ouviram, sabem também que o material sintético de 95% dos coletes militares e policiais são feitos de Kevlar, um plástico super resiliente fabricado pela Dupont. Ele é capaz de absorver tiros até à queima-roupa de calibres até 9 mm das principais armas portáteis.

Uma bala destas pode perfurar mais ou menos uma pilha de 6 a 8 tábuas de pinho de 2 cm, superpostas, mas não atravessa os 3 mm do Kevlar em mantas utilizado. Isto, é claro, se as velocidades dos projéteis estiverem dentro das médias das armas.
O causo (que não é ficção) é que estes testes mostraram que uma mesma munição, detonada em uma mesma arma, pode ter sua velocidade de trajeto incrementada em até 60% se a bala for revestida de Teflon. Neste caso, ela vara qualquer colete. São as conhecidas munições anti-polícia tão queridas em Hollywood.

Teflon é na verdade um anti-aderente, utilizado comumente em panelas, que lubrifica os metais e resiste a altas temperaturas dentro das câmaras das armas... e que coincidentemente é fabricado pela mesma Dupont.

Ao deparar-se com os números possíveis de decréscimo da procura do Kevlar para coletes, comparados com a tendência dos números do fornecimento do Teflon específico para munições, a Dupont decide humanística ou economicamente (você decide...) pela retirada do mercado, do Teflon, que agora será dedicado apenas para seus ovos fritos e omeletas, minha querida dona de casa. Você pode sempre amarrar uma boa frigideira nos peitos, quem sabe o teco não resvala numa boa.


Nota: meu amigo Caco está vindo ao Rio (em busca de emprego) e gentilmente se oferece para o teste balístico acima (das frigideiras) por bufunfa módica, é claro. Estamos oferecendo vagas desde agora para os atiradores voluntários testarem o nosso web-piloto de provas... mas tem que acordar cedo para reservar senha que a procura é alta.
_________________________

Bem... se você se sente uma aberração estatística por não conhecer nenhum carioca vítima de bala perdida, sinta-se redimido. O Herói que vos fala recebeu um tiro sem endereço em fevereiro de 3 anos atrás ao cruzar a Barão de Petrópolis, no Estácio, ao meio dia.
Pegou na altura da minha nuca e ficou cravada na base do meu capacete porque eu estava de Motocicleta, felizmente... e está lá até hoje guardada.
Foi como receber uma pedrada e eu apenas acelerei imaginando que tentaram me derrubar com algum objeto pesado, atirado de uma janela. Meu escritório era então (não é mais até por isto) na Haddock Lobo, no Estácio... e cheguei atrasado para uma reunião com um Cliente.

Só no intervalo do cafezinho fui olhar o estrago no capacete, depois de relatar a aventura para minhas sócias e achei então, (surpresa!) a bala lá alojada. Apesar de estar no ângulo correto para seccionar a base do meu crânio, ela não teve força para varar a fibra de carbono (deve ter vindo de muito longe e já enfraquecida... parou na massa do revestimento interno).

Agora vocês sabem do cacife do meu Anjo da Guarda e agora também eu sei que esta mesma fibra de carbono é igualmente patente da Dupont, qualidades aliadas de produto e serviços de altíssimo padrão (Dupont + Anjão)... em miúdos: tabelinha du-ca-rai esses dois!

O capacete, vocês adquirem nas boas lojas do ramo... o Anjo, não está disponível... ainda! Por sinal anda ocupadíssimo!




Sexta-feira, Agosto 27, 2004

O BEIJO


Tudo que eu sei aprendi com alguém e muito do que aprendi foi com a peãozada das fábricas e oficinas.
Quem me conhece sabe como sou grato por ter sido aceito nestes círculos de sabedoria onde o processo de aceitação é mais duro que muita bateria de recrutamento de multinacionais. Não tem siglas e nem títulos este processo e é sempre direto e assertivo.
O conceito do curto e grosso tem um titulo na moderna administração chama-se: KISS.
Keep It Simple, Stupid... já tinha até esquecido desta babaquice siglada.

Um dos enfoques mais práticos e difíceis de assimilar na moderna gestão do conceito de Fornecedor & Cliente é fonte de muita grana que rola nos cursos de treinamento de ponta das equipes das empresas.

Um de nossos amigos, era Diretor então de um grande fabricante de plásticos no Rio e nunca , nem nesta época e nem hoje abandonou sua ocupação principal de mestre dos cursos de MBA da FGV e outros. Estávamos justamente discutindo estes conceitos e aplicabilidade nas estruturas internas, mas principalmente o seu grau de absorção entre os escalões operacionais da fábrica, onde na minha opinião tudo começa.

Eu sugeri um papo com um mecânico chefe de linha, lá no piso da fábrica para checarmos isto. Ele estava voltando do curso terminado justo no ultimo fim de semana. Como já era uma terça, eu tinha certeza que era tempo suficiente para a informação ainda estar em sua cabeça e também já ter sido processada em conceito peonês, fomos pra lá eu minha sócia e cúmplice destas horas acompanhados pelo velho professor.

- E ahe Vezu ... gostou do curso? E os conceitos de Cliente, Parceria e Terceirização ... deu para sacar?

- Sem dúvida... as coisas vitais no relacionamento e corresponder aos desejos do Cliente são mesmo a sobrevivência do negócio e wawawawawawawawawa wawa... (definiu cada letra).

Ter cooperadores com interesses paralelos mas de mesma direção são uma contribuição wawawaw wawaw wawaw ... (outra brilhante demonstração de ter compreendido todos os conceitos) ... e as vezes tais interesses não são a atividade principal da empresa e podem ser rateados por estruturas de fornecedores menores e aliados!

Caaaraca...o peãozinho era o cão, uma esponjinha e dissertou cada letra principal dos textos ainda que com as palavras dele mas não necessariamente a sua opinião.
Como ele era muito bom no que fazia , usufruía de certa segurança dado ser imprescindível tecnicamente, por muito pouca insistência opinou sobre estas teorias a luz do peonês corriqueiro.

-Ta bem... voces pediram e eu vou falar franco.

- Bem ... sabe como é ... o Cliente é importante mas não deve interferir em demasia e descontroladamente só ouvindo um Sim como resposta ... o Parceiro se está afinado com seus interesses então porque não fazer parte do seu time permanente? ... e se uma empresa não dominar suas atividades de cabo a rabo ela não domina o seu processo. Mas você não espalha o que eu penso ... isso ahe não... se não me cortam dos módulos II e III do curso... e sacumé carreira né?!

Bem ... este foi o seu discurso longo quando pedimos franqueza... mas muito antes disto veio a pérola-resumo da sua opinião bem KISS:

- ...bem ... pra ser franco ... pra mim quem tem Cliente é puta ... quem tem Parceiro é viado e quem Terceiriza... é corno!

Uma aula administração moderna em 20 palavras.
Mais sintético que isso, mesirmanos... é record.




Quinta-feira, Agosto 26, 2004

O ALEMÃO

Olha , viajamos juntos um monte de vezes e o cara é indispensável numa estradinha. É o rei do trem sempre e não dá para ficar sem estória em um ride que ele vá.
Só é ruim de acompanhar o cara no fim da estrada... invariavelmente ele contrata o hotel local pra gente mas só aparece por lá no ultimo dia para o café da manhã.

Uma vez enterrada a bandeira no boteco escolhido o Embaixador dos Águias de Ouro só sai de lá se o estoque acabar.
Essa não é contada de segunda mão ...eu estava junto e vi lá em Pati.
Tomaram de assalto quando chegamos, uma barraca de cana e comidinhas maneiríssima... e pela cara do lugar... um olhou pra cara do outro aprovando o sítio ... e eu vaticinei : ...chiiiiii...fudeu!

Como eu sou o responsável pelos garfos mais que pelos copos ...acompanho os caras ...mas é runho hein?!
Vai por mim que vi numa madrugada fria de Junho daquelas os caras usarem da influencia local da Maçonaria... para abrir as 4 horas um supermercado que reabastecesse o bar e a cozinha da barraca desprevenida que zerou estoques do forno e do balcão.

Corta a cena... pro lauto café da manhã do hotelzinho de interior...último dia e todo mundo encapotado, de pé no jardim interno papeando e armando o trem da volta. Estávamos dando um tempinho também pro bolo de fubá que ainda tinha 15 minutos de forno restantes.

Nisto aparecem ao meu lado, 3 Argentinos em duas motos e o papo entre eles em portunhol era assim : ... no se...noes eso...jo no me recuerdo de estos caras... y tambiem de las plantas e de esto laguinho...

Ofresqui ayuto e descobri que não estavam procurando um hotel para ficar como imaginei. Lembrei dos caras (que estavam também no bar do Alemão na noite anterior) e o problema deles era encontrar uma moto desaparecida.
É que estavam tão empapuçados que resolveram abandonar a moto em um hotel qualquer ... amarraram o pinguço como se fosse uma mochila e recolheram em mais segurança.

A encrenca no dayafter... era lembrar em qual hotel deixaram a possante... então percorreram todos e eu não sei como acabou... apenas que meu hotel não era aquele.

Subimos então ao bolo e ao café quentinhos, servidos dentro de uma velha estufa de orquídeas toda envidraçada e com uma vista panorâmica de todo o hotel e de lá ouvimos o recado do garçon. Chegou na nossa mesa e nos apontou a figura do Alemão, longe acenando e berrando do alto de uma das casas, lá na janela da mansarda antiga do telhado:

- Armandooooo.... como é que eu faço para chegar aheeee...????

Todos se viraram para o Garçon esperando o esquema geográfico local.

Ele apatetado disse:

- Eu não sei uai... nasci aqui e até hoje nunca soube que dava para chegar lá ... e nem como!!!

Pois é ... desceram o alemão sei lá como... de escada acho... até o café e até hoje permanece o mistério da Mansarda Maldita.

O Alemão levantou a hipótese de abdução etílica... e quem sou eu pra desdizer o cara.

A ultima vez que estive perto do Alemão foi em Julho em Tiradentes. Achei sua moto estacionada no centro da praça e usando o método Argentino... procurei em todos os bares da região e não achei o cara. Fui embora sem achar o cara.

To preocupado... mas nego me garante que alienígena nenhum leva o Alemão duas vezes...




Terça-feira, Agosto 24, 2004


Voltei, cambada...

E como podem ver, estou cheio de analgésico, anti-inflamatório e estória nova.
Tomei morfina como Sherlock Holmes e sem precisar me amasiar com o meu médico, como ele fez com o Dr. Watson...
Ele só me pediu pra tirar os bigodes de 30 anos, alegando que precisava de área para colar esparadrapo do respirador. Estou tão esquisito que nem me passa pela cabeça a hipótese do beijinho.
Falando sério agora, meu cirurgião é o Dr.Eduardo Saito e o homem é o cão com um bisturi. Responsável agora por eu estar planejando infernizar vossas vidas por mais tempo.
Esqueçam qualquer projeto de vingança pessoal... ele leva sempre o bisturi no bolso.

Voltei numa nice, sem trazer nenhuma medalha... mas doido pra continuar treinando a minha cambalhota-mortal-carpado-triplo-escrachado, que pretendo apresentar em 2008 ao som do xote da mula manca. Vai ser du-ca-rai! Se derem menos que deram pra Ucranianinha... quebro aquela mesa.
Se eu estou bem?
Elementar, meu caro...





A Semana anterior

Eu fui informado que essa amiga iria juntar-se a um grupo de outros jovens em uma espécie de retiro disfarçado promovido na Aldeia pela cúria local e há quase vinte anos atrás. De repente era moda esse negócio de conquistar mentes e corações novos e todo padre carreirista ou já era ou aderia aos movimentos de salvatagem da religião. Era o must e essa minha amiga não queria se sentir excluída e como chamado a opinar não me furtei a um "...mal não faz... mas olha fica alerta para entender todas as entrelinhas... a Bíblia mesmo fala em separar o joio do trigo...". Eu sabia que naquele lugar não sobrava farinha... nem para um biscoitinho.
Preocupado por conhecer os Patrocinadores de longa data e pessoalmente... e agravado pelo fato de que o local geográfico escolhido para sediar esta olimpíada religiosa era o ninho da Tecnologia Militar Brasileira: o IME.

Preconceito persecutório e recorrente

Estudei semi-interno em um colégio de Padres Lazaristas que era na época o maior celeiro de Crianças-problema e Padres-solução da época. O que poderia ser considerado hoje mesmo um projeto de vanguarda para uma penitenciária terceirizada e fica aqui a minha sugestão de alternativa comercial para a Ordem Lazarista sobrevivente.
A fina flor do Clero-engajado da época pertencia aberta ou veladamente ao movimento Opus Dei de origem espanhola, fundado pelo Padre Josémaria Escrivá. Hoje sendo canonizado em um processo canônico flash... mas na época só mais um Franquista superativo. Mas deixa pra lá... um dia pergunto o que quero saber a ele mesmo, diretamente se nos encontrarmos no mesmo departamento e pela mesma falha administrativa.
Não entro no mérito dos meus medos... mas aceitemos por hora... que para minha experiência pessoal, de então, justificava meu alarma e meu conselho para a amiga. Eu conheci as entrelinhas de dentro e sabia que eram velados os objetivos e que estava armada uma operação massacrante de lavagem cerebral na preparação da próxima geração dos consumidores da religião.
E o caminho era simples: não aceitar derrotas na tarefa de lavagem e eliminar do rebanho os que reagirem ao poro-grama.

Argumento apascentador

Ela só quer ser aceita no grupo e aprender violão. Tá bem... deixa ir então.D´aqui essa autorização, assinei e não se fala mais nisso cáspita!

Os Orientadores

Ahhh ... era a fina flor das ratazanas de capela, egressos todos dos Encontros de Casais que era a versão "adulta" do mesmo produto.
Era a quase garantia de alienação liofilizada em doses terminais. Eu conhecia suas aventuras todas de muito tempo na frente e atrás dos altares.

A carta

Tudo programado e no terceiro dia recebo uma carta da minha amiga dizendo que se sentia renascida .... que era muito legal lá dentro... e que amava muito a mim e sua mãe. (Sacaram já?)

O programa de auditório

Todos os pais da Aldeia estavam lá assistindo, irmanados (Ratinhouuuu...) o revival de fé de seus filhos bem no Templo da Ciência e dá Fé. O Instituto Militar de Engenharia (já pensou que estirpe!) emprestava suas facilidades assim num estalar de dedos.
As crianças já estavam lá, com aqueles olhos esbugalhados (que acho é o que faz o cheiro de incenso) e aquela expressão idiotizada que todo fanatismo produz sem erro de regra. As feições mudam.
Foram distribuídos fartamente textos pessoais, flores e amor... por pouco pouco não entra o Claude Buckowvski com uma aureola de miosótis na cabeça cantando e rasgando sua carta de convocação para a guerra do Vietnã. Em vezde Manchester England England cantamos o Credo.

Acredito até possível, que a Produção tenha sugerido esta cena do Hair, mas se fez... seguramente foi cortada pelos Patrocinadores... enfim para nosso gáudio e poupança de nossos sacos, tal não aconteceu. Tava em cima do laço e não dava para pedir a bençao em Madrid... o DDD era de cabo submarino... seilá...

Criaram então uma apresentação em um ambiente bem confessional em que foram declarados os nomes e idades dos testemunhos de pequenos pecados de sexo e drogas. Anonimato praquê uai... somos todos irmãozinhos agora...
Eu ouvi e (absurdo...) fiquei mudo.Eu não defendi na hora os meus Curumins e Cunhantãs... disto eu me arrependo. Era ali a hora de ser mais grosso que chaminé de navio (sou bom nisso até hoje) e mandar aquela raça toda a PQP...mas enterraram a unha no meu braço junto com a recomendação: - Fica quieto!
Eu encaro a Curia e O Exercito... mas minha mulher... é runho...

No rosto angelical dos nossos filhotes no palco eu só via orgulho e confiança. No rosto do auditório... ahhh... tinha nego puxando caneta e lápis adoidado para anotar nomes e endereços... necessários para futuras e imediatas filtragens sociais.

O pânico.

No final fomos levados a um corredor escuro como um rebanho obediente (béee...) e instruídos a fazer silencio absoluto porque da sala ao lado também as escuras se encontravam os novos "renascidos" e que seriam surpreendidos ao acenderem as luzes por nós a sua tribo toda grata e cheia de carinho. O fundo musical era de 10 violões tudo em dó maior e cantando "...nós somos jovens...jooovens... joooooovens... do exercito do surf!" ou qualquer perola da marca... que eu já não escutava mais porra nenhuma de tanto ódio.
Minha amiga saiu transfigurada e aos prantos com essa manobrinha piegas e se agarrou comigo... e soluçava.

Foi a gota... eu reagi violentamente e tratei de fazer meu discurso ali mesmo. Passou a ser prioridade zero tirar minha filha dali e prioridade um: reabilita-la do Brain wash do Opus Dei.Levasse o tempo que levasse.

Até hoje carrego estas cenas como uma coisa que passa para todos como um dos exageros do Herói.
Trouxe livros e filmes... recomendei veemente títulos como "A Missão" e "O nome da Rosa" que esperava... mostrassem a face da religião como verdadeira promotora dos males nestas e naquelas latidudes.
Se eu não conseguisse então... quem sabe Robert De Niro e Sean Connery o fizessem.

A reação.


O casal carola-de-cerebro-lavado que interviu comigo para me afastar dos demais durante o esbravejo-time ficou séculos sem falar e trocando de calçada para não tropeçar comigo.
Ele era o metido a comedor de empregadinhas até idade provecta e ela (se lhe sobrou saúde) continua sua verdadeira missão que é dar para toda a tribo antes dos setenta anos de militancia. A ela só dediquei desaforos improvisados na hora... a ele gostaria de ter ido mais longe e ter-lhe plantado um murro na testa ... mas ela ( a testa digo) estava tão bem protegida! Fiquei com medo de quebrar um dedo.

Parei... pelo medo do ridículo mas o Tempo me trouxe os dois fatos novos.

Minha filha e minha amiga há muitos anos... agora tem uma filha e incrivelmente... acaba de me dar de presente "O Código Da Vinci" do autor Dan Brown.
Parece que todo mundo leu esse troço menos eu.
Sugiro agora que leiam o livro... não explica muito mas expõe legal essa raça toda.

Eu vivi a peça mesirmanos, mas só recomendo o texto!




Domingo, Agosto 15, 2004


PORNO PROVA

Eu tive que fazer na sexta ultima, um exame medico de prova funcional respiratória. Acorda cedo e ruma para o hospital.
Como lance estranho só acontece comigo, lá vai mais um para a coleção.

Sala de espera de hospital é corredor... e este estava cheião, auditório lotado (como se fosse) e IBOPE de 100 pontos para o que rolou em seguida.

Finalmente chamado pela médica, que além de super-cinética, era simpática horrores e muito pra cima.
Fez a minha entrevista onde descobriu que nunca fumei (- ...então neeeem precisa tomar bronco dilatador...) e que eu sou mergulhador (ou fui... sei lá...). Em função disto me instigou adoidado:

-...olha ... tem que ser supimpa esse seu exame, vamos botar p quebrar hein?!

Me explicou como soprar na maquininha, que tem que medir a potência inicial do sopro e o volume total da respirada.
Fiz o primeiro meio chulé, acho que por ser mesmo assim sempre nas primeiras tentativas de tudo na vida.

- Armando, não foi bom ...você faz melhor que isso tenho a certeza! VAMOS REPETIR!

Falou isto já gritando comigo como um treinador olímpico russo faria para animar a Daiane... já prometendo o inferno se não trouxer o ouro.

- BOTA FORÇA NO INÍCIO E... NÃO PARA ATÉ EU MANDAR... 1...2... 3 VAI COM TUDO AGORA!
CONTINUA... CONTINUA... NÃO PÁRA AGORA... VAI, VAI (os decibéis lá nos píncaros da glória!)...

- E agora como fui? ( eu encabulado e querendo discreto retorno da minha performance)... como a atletinha faria...

- FOI MELHORZINHO... MAS EU QUERO MAIS QUE ISSO ... VAMOS PARA A MELHOR DE 3...

E assim fomos... até que ela pronunciou um "-...AGORA SIM VALEU... FOI MUITO BOA ESTA ÚLTIMA!!!"... comemorou, mas ainda no grito e quase que em russo.

Dava para ouvir os risos já não tão discretos... lá da galera do corredor que pensava de um tudo.
Ela me desejou boa sorte e pediu que aguardasse o laudo do lado de fora. Nego na geral... já não perdoa de cara limpa... que dirá apreensivo de ser o próximo.

Bem... eu fui aplaudido de pé quando saí... e já tinha um fã que sabia até meu nome.

- E ahe Armando! Arrancaram teu couro lá dentro bro... foi bom para você pelo menos?

Eu ri, mais pelo ridículo da situação, só espero que a bichinha surfista não pense iludido, que nosso encontro fortuito tem algum futuro...

Aliás (auto-tapa na boca!) revendo a minha declaração acima... eu espero que tudo tenha um futuro nesta altura das minhas Olimpíadas! Até um bronzezinho é lucro bro! Torce ahe cambada!




Quinta-feira, Agosto 12, 2004


SOLTO NO PASTO

A aposentadoria de um cavalo de raça cheio de estória é sempre ser, merecidamente, solto no pasto.

Esse jipão ahe, com motor Mercedes de ônibus, foi preparado por mim para grandes pernadas, maiores ainda que as que dei, que foram curtinhas pro meu gosto e para o seu cacife, afinal é um maquinão para Pantanais e Patagônias.

Como eu estava preso na cocheira então resolvi soltar o bicho no pasto. Está ahe, na foto, com seu novo dono, que cuida muito bem dele e no máximo o leva para comprar cervejas no mercadinho do bairro.

Escolhi esse cara a dedo para dar um fim tranquilo pro meu jipão!




Terça-feira, Agosto 10, 2004


Rio de Janeiro 09 de Agosto de 2004 10h 56m (do O Globo)

Acidente em usina mata quatro no Japão

É o mais grave acidente em número de mortes ocorrido até hoje em instalação nuclear japonesa. Autoridades garantem que radiação não escapou de instalação em Fukui .

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COMENTÁRIOS DO DEPT ESOTÉRICO DO HERÓIS

Ô mesirmanos... tem que ficar esperto com os sinais... eu não trabalhava num lugar com esse nome nunca... estão praticamente avisando seu destino explicitamente : Fuk-iu se ingles e Fuk-ui em frances.
Estavam esperando o quê?!





Segunda-feira, Agosto 09, 2004


C'EST LA GUERRE

O belga está para o anedotário francês como os portugueses estão para nós ou os poloneses para os nova-iorquinos.
Esta é mais uma do Gaston, que me lembrei e não posso deixar de registrar. É sobre como ele fez dinheiro urgente para financiar sua fuga da França.

Os Maquis usavam armas e materiais que os aliados jogavam de para-quedas no interior da França durante os anos de ocupação. Muito deste material era desconhecido para os caipiras locais, que ficavam deslumbrados com tanta modernidade, enlatados, remédios, rádios e explosivos milagrosos que bastavam 30 gramas para abrir um cofre de aço ou descarrilhar um trem de carga.

Mas o que faltava mesmo era combustível. O carro da guerrilha era um Citroen sapo daqueles negros e de bunda larga.
Como havia muito roubo de gasolina, os maquis esconderam um tanque extra sob o banco e o carro funcionava depois de muito tranco, com álcool de batatas escondido no tanque secreto.

Os postos ainda restantes só atendiam quem tivesse cupons de racionamento e eram controlados pela Gestapo.
Gaston escolhera um que pertencia a um Belga crédulo e deslumbrado, feliz de poder ajudar de alguma forma a resistência, mas nunca é claro, com gasolina, o que significaria a sua execução sumaria pelos alemães se fosse pego.

Então, como o tanque original do Citroen fora mantido, ainda que desativado, ele pedia que o belga (crédulo com o que via) o enchesse com água pura sem fazer nenhuma pergunta e na sua frente jogava dentro do tanque 10 ou 15 pastilhas efervecentes de sal de frutas (americanas e desconhecidas ainda).

Sacudia bem o carro depois de fechar o tanque... enquanto ameaçava o Belga dizendo que se ele falasse algo a respeito da gasolina solúvel americana... o Maquis-Negão senegalês lhe cortaria o saco fora. Feito isto ligavam o carro (que quente pegava de estalo) ainda que com um puta cheiro de purê du pôme-de-terre. Deixavam para trás um Belga maravilhado com a ciência "des americaines".

Fizeram isto durante semanas seguidas com o Belga... até que um belo dia... em fuga e na urgência... venderam para ele todo o estoque final de pastilhas efervescentes restantes, por uma pequena fortuna, tornando a ameaçar o tabaréu de mil mortes se ele entregasse o segredo militar mais caro da Estratégia de Reocupação dos Aliados: o Alka-Gás!

Lembram do "Faça Humor... não faça a guerra" ? O Gaston fez as duas coisas juntas... e sem saber já era um carioca... antes mesmo de chegar aqui!




Domingo, Agosto 08, 2004

MAQUISARD TUPINIQUIM

Ele tinha 1,65 de altura era magro e caladão. Seu sotaque forte da Auvergne não escondia em nada a procedência francesa.
Era o meu chefe durante meu primeiro estagio profissional em uma velha fabrica de elevadores em São Cristóvão, que já nem existe mais.

Vamos chama-lo de Gaston,para manter seu sossego.
Veio para o Brasil com a mulher e um filho pequeno fugindo da segunda guerra e como muitos, para recomeçar tudo numa terra estranha e no caso do Brasil , põe estranha nisso.
Sem falar a língua e com uma profissão desconhecida por aqui até hoje (ele era engenheiro relojoeiro). Eu não imagino, eu sei que foi difícil.

Deixaram todos seus documentos e o seu passado para trás, ao ponto de ter que provar que não era analfabeto.

Em 1969 as empresas teriam que informar quantos analfabetos possuíam na folha de pagamento e quem não tinha papéis provando escolaridade, teria que fazer uma prova no Maracanã e o Gaston foi sem perder o humor.
Gaston voltou orgulhoso dizendo: Gimenêz...fui "aprrovadô" come il fâult faire!

Falava pouco, eu já disse , e muito menos ainda sobre seus envolvimentos políticos durante os últimos anos na França. Era uma espécie de buraco negro a década de 40 na sua vida e na da sua esposa.

Dava para sacar que era um cara muito aceso e esperto, com um condicionamento profundo para reações rápidas a tudo que acontecia ao seu redor.
Fumava, eu lembro, um Gauloises fedido e sem filtro que ele acendia um no outro.
Sua sensibilidade já tinha me mapeado como alguém com vida arriscada, no que tange a conjuntura política da época em que, eu ser estudante, era quase a garantia de ser um clandestino.
Mas o mais interessante é que eu percebia que ele tinha um passado agitado e que ele não comentava como eu não comentava o meu presente... e nós nos respeitávamos em nossos silêncios respectivos, quase confirmando a máxima de Lorca : " ...quem não foi ativista aos 18 não teve coração ... quem for depois dos 30 não tem cabeça!"

Mas aconteceu uma vez nesta época mesmo... que durante um bom período de seca nos reservatórios de chuva, a Ligth impôs um racionamento que colocou nossa fabrica a trabalhar de madrugada e mesmo assim havia todos os dias um período de manobras que nos deixava meia hora no escuro aguardando a energia que vinha de São Paulo.
Durante estes intervalos, a luz das velas em cima das pranchetas e das bancadas, davam assim um ar de sombras. Isto remetia o Gaston às lembranças de seu tempo de clandestinidade nos porões franceses e ele acabou se abrindo comigo nesse clima meio noir.

Contou como foi escravizado em uma fabrica de transformadores cuja produção, era vital para a ocupação nazista e que de dia ele era submisso... mas a noite explodia cofres e trens na sua dupla vida.
Ele dizia de si mesmo que era como um gato doméstico, que ronronava durante o dia entre as pernas dos alemães mas a noite enfiava-lhes as unhas.

Fez parte, na sua fase mais casca-grossa, de um grupo maquis chamado de "Expeditions Punitives" destinado a eliminar colaboracionistas franceses notórios.

Ao descrever a atividade principal do grupo me disse apenas, explicando de forma velada, que tinham uma lista de nomes e fazendo o gesto claro sobre a palma da mão esquerda, molhou a ponta do dedo indicador na boca e passava sobre a mão, simulando como se estivesse apagando cada linha de uma lista interminável.

Lembrou também nos gestos, de um maquisard Senegalês de seu grupo na resistencia, adepto nato das armas brancas...um sujeito que sempre agia da mesma forma e nesta ordem macabra :

- La gorge (garganta) e culhom, nunca culhom e gorge... toujours la même chose sens trocar l´órdre de chose ... un trés methodique creóle... ( com o gesto laminar no pescoço e no pau enfatizando o seu método ritual de eliminação à faca )

E eu ficava imaginando como é que podia aquele francesinho calado e sensível ter participado de todo aquele frege... bem... ele tambem não imaginava o meu frege!

Seus olhos brilhavam todos os dias, quando descambava a contar as coisas deste tempo. Comecei a entender, depois de algumas repetições do assunto, que ele se preocupava também com a minha segurança.
Tentava transmitir sua experiência de clandestinidade para mim... uma espécie de proselitismo velado de sobrevivência.
Eu nunca revelei claramente o que fazia fora do trabalho. Era um diálogo tácito o nosso.

Aprendi a como me comportar de forma discreta com seus exemplos e a desqualificar qualquer suspeita sobre uma possível vida dupla minha e muito mais tarde me passou a informar até como usar explosivos mais específicos.
Tinha até as formulações e metodos de uso. Acabei como um gato eu também.

Sua vinda para o Brésil foi determinada por um fato.Ele foi descoberto por seu chefe na fábrica, que era um Italiano apavorado e que soube de suas atividades na resistencia.
Ele era o responsável pela ultima revisão de qualidade dos transformadores... e o italiano implorou para que ele não fizesse nada contra uma partida vital de peças destinadas para a aviação da Alemanha.

Ele declarou que não se preocupasse porque ele apenas garantiria a qualidade e fecharia pessoalmente cada caixa das embalagens dos transformadores antes da exportação. O Italiano passou então a dormir acreditando.

Assim o Gaston fez. Em cada caixa pôs um ultimo prego... "enorrrme... avec 15 centimétre et enfiado bien no centrô de cada trrransformadorrrr" .Seu Franturguês tornava suas estórias mais saborosas e foi assim que ele teve que sair da França escondido com a família e metade da Luftwaffe no seu encalço.

Me ensinou muito o Gaston nesta época... e talvez o principal : ser menos quixotesco "dans la guerre" e sobreviver para conhecer os netos.

Nem sei se ainda vive, perdemos o contato há tantos anos e aquele fumo francês todo... sei não.
Espero que tenha tido uma vida de paz em Petrópolis... mas se por acaso sobreviveu ao tabaco... eu desejo-lhe um feliz dia dos pais Monsieur R.





Sexta-feira, Agosto 06, 2004


PAQUERANET


Entreouvido na fila do banco.

O dado mais importante é o que está menos preciso, mas acho eu, (como dizia Vó Izaura) que ambos tinham uns 23 anos e eram auxiliares de escritório destes ainda com um pé na esperteza de um oficeboy. Já que levava jeito de post, agucei as nossas orelhas blogueiras.
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- Caaara, lembrei de um lance vital... lembra aquela cachorra que troca email comigo faz mais de ano? Pois é, telefonou ontem dizendo que estava de passagem aqui pelo Centro e que estava me esperando... assim por acaso, pra gente se conhecer pessoalmente no Amarelinho.

- Massa... e aí valeu um ano de acesso discado?

- Médio. Ela me achou logo de cara, pelas fotos honestas que eu mandei, mas ela mermão... desde a primeira sala me mandou a foto de outra. Caaara, se ela não se manifesta com um risinho quando eu pousei... eu não ia achar era nunca.

- Tão esquisita assim? Deixa eu adivinhar: um bonde a tal mulherzinha!

- Nãaa nem tanto... meio maltratada a pilantra e tem esse negócio de esconder e maquiar a imagem porque? Tem que ter algo errado né? Mas de cara já fez jus a um procon... e tinha aquele negócio de unha roída e dentinho de ouro na frente... pecou feio a mocréia. Mais falsa que uma nota de 25 e ainda por cima com manutenção zero?! To fora!

- Caramba, isso não pode acontecer mais na internet... já andei sabendo de coisa pior. É parte da tal falta de segurança da web que neguinho fala pelaí adoidado, a gente tem que fazer alguma coisa... você vai encarar ou já jogou um caô neutralizante para sartar out do lance?

- É... falei numa namorada que voltou depois de anos... a providencial figura que sempre me salva nestas horas, mas falar a verdade? A gente tem que neutralizar essas figuras com este antecedente só não sei como... até deletei a canina do meu outlook.

- Mole mole (idéia)... vamos armar um listão só de cachorra fake, com imagem furada... e queimar o filme delas ... e tem mais... vamo dipindurar é no ORKUT ô meu... vai ser o Cerasa da pegação!





Quarta-feira, Agosto 04, 2004

SEU TRINDADE... (na fase mais rural do projeto e em 91 acho...tirando por seus cabelos ainda pretos...melhor nem reclamar da foto comprometedora porque temos mais de onde esta veio)

O Robson ahe dos comments, foi meu estagiário a 400 anos atrás, acabou me substituindo na Castrol quando caí no mundo para fazer outras fabricas. Acabamos juntos anos depois na BC Plásticos, onde ambos passamos a ser fornecedores do patrão antigo e agora único Cliente de embalagens. Tudo disfarce eles eram mesmo os donos de tudo e a grana vinha do mesmo cofre.
Só que lá no meio do mato nós tínhamos uma certa liberdade, desde que as embalagens chegassem a tempo e em condições de qualidade.
Foi um tempo legal porque finalmente fizemos uma empresa e equipe com a cara da gente... e era muito boa gente o pessoal de Campo Grande. Tudo aquilo acabou e foi vendido 10 anos depois e muitos ainda são nossos amigos pessoais.

Lembramos tudo por causa dos bichos que tínhamos, bodes, cabras, depois carneiros e cavalos. E como o assunto é bicho... la vai...

As cabras vieram antes e destruíram o jardim, mas pariram um monte de cabritinhos de um Bode emprestado chamado Tião... preto como uma chaminé do avesso e com o humor de um gato maracajá.

Esse bicho me fez passar pelo constrangimento de preencher uma ficha de acidente de trabalho colocando na causa : ...chifrada de animal caprino... (tentando ser o mais profissional possível).
Era só a gente se distrair dentro do território do Crioulo e ele na mococa abaixava o craneo disparava e acertava a vitima sempre na bunda.
Esse bicho chegou a aprender a saquear uma maquina de refresco, que tínhamos dentro da fabrica e era capaz de beber 5 litros impune, porque a moçada tinha medo de encarar o bicho.

Ele me respeitava pela lembrança de um murro que eu apliquei no centro geométrico da sua testa depois de arrasta-lo pelos chifres pra fora da fabrica.

Como no inicio tínhamos apenas uma linha telefônica (lá vem causo!), as chamadas eram recebidas em um escritório no segundo piso e tínhamos uma campainha que chamava a atenção de todos na fabrica que olhavam para a janela envidraçada. Então tínhamos sinais mímicos, tácitos e não combinados, que eram feitos para identificar quem devia atender a chamada. Bater com os dedos no ombro significava chamar a chefia... o Robsom a propósito... era duas rodelas com os dedos em volta dos olhos lembrando seus óculos ... o sinal para o Rubens, assistente de qualidade, era politicamente incorreto, era segurar o beiço e esticar balançando. Caso este sinal fosse seguido de levantar um pé e cheirar a sola ...significava "atende logo que é merda de qualidade".

Mas e o Tião com isso? Ora me direis...
É que me lembrei uma ocasião que vi do meu escritório o bicho dentro do armazém de matérias primas, dando chifradas nos sacos de polietileno e espalhando material pelo chão.
Como maneira de avisar o povo lá embaixo sobre a invasão do Tião no etoque, toquei a campainha do telefonema e todos olharam para cima esperando a identificação mímica.

Eu meti dois dedos na testa imitando um par de chifres bem grande avisando... atenderam bem uns 4 caras! E o bicho lá tranquilo furando os sacos... nem um corninho pra impedi-lo...

Mas inesquecível mesmo (antes de tudo) foi a negociação com a Dona Maria, uma velhinha pecuarista da região, para convence-la a nos emprestar o seu bode.
É craro que na qualidade de consultor rural coube ao Robsom o discurso e argumentação com a velha. Tentando ser o menos explicito possível ele explicou nossos objetivos e as garantias oferecidas para o bicho ao vir morar na Fabrica:

-... bem D.Maria... é que temos umas fêmeas Moxotó lá na nossa área...sabe como é...tudo com idade de procriar e quem sabe a gente não tira um leite também... temos um veterinário que cuida periodicamente dos bichos... a área é boa e cheia de capim fresquinho... boa água...

Bem... sou testemunha que durante uns 10 minutos ele tomou todo o cuidado para convence-la, sem choca-la muito quanto ao destino do Bode Tião. Até que ela concorda e tranqüiliza nosso embaixador caprino:

- ... tá bem meu filho pode levar esse bicho que você vai ficar "sastifeito". O Tião é bom de pirocada que só ele!!!

Ahe escancarou geral... a véia emprestou porco, galinha, o escambau... por pouco não se muda pra lá também. O Robinho nunca me explicou bem essa relação com a corôa...

O fato é que tínhamos 40 mil metros de grama curta e bem pastada (no auge por 30 cabeças de herbívoros vários) com 200 toneladas de plástico estocadas em 3000 metros no centro de terreno... tudo isso em Big Field, na área onde se solta mais e os maiores balões no RJ.

Resultado prático? Meus vizinhos pegaram fogo umas 4 vezes em 7 anos e nós...nunca! Os incendios paravam na grama curtinha da cerca.

Fogo por lá... só na churrasqueira mesmo... para reduzir a super-população local na equipe dos jardineiros, uma espécie de ingratidão culinária que nos acometia vezinquando... era muuuuito bom!
Nenhum remorso...só saudades.
Armando G

Nota
O Robsom é engenheiro mecânico e hoje diretor da Rusimam, empresa especialista em manutenção industrial , nosso fornecedor e parceiro antigo. Já comemos um kg de sal juntos na vida como se diz e temos muita estória locca... que para contar... temos que enfeitar um pouco... se não ninguém acredita.