Contos e crônicas sobre tipos interessantes, causos e lugares conhecidos durante mais de 40 anos viajando sobre motos, barcos de pesca e botinas. Colaboram cariocas, coroas nascidos nos anos 40 e que se recusam a pendurar a mochila.

Sábado, Janeiro 31, 2004


'

Não quero tecer opinião, que sei não seria desapaixonada, sobre o que está acontecendo com os índios e de sua luta neste momento para reaver as terras de seus avós.
Mas vejam esta reportagem de 96 e verifiquem que a sacanagem tem 450 anos.

RIO NEGRO

O antropólogo e senador Darcy Ribeiro afirma na obra "Os índios e a Civilização - A Integração das Populações Indígenas no Brasil Moderno", que desde o século 17 os nativos da região do Alto Rio Negro são submetidos a "descimentos" e ao cativeiro promovidos pelas mãos de colonos. "Descimentos" é um termo ameno, da época, para se referir aos índios que eram capturados no interior do País e levados para o litoral, onde exerciam trabalho escravo. Houve muita violência na região e a violência do passado deixou cicatrizes. Elas ainda são visíveis entre as 20 diferentes etnias da região. Por fim, em 1916, chegaram as missões salesianas que, à época, eram intolerantes com as manifestações da cultura indígena.

No Rio Negro, índios vivem a desagregação
Mais de 300 anos de contato submisso com os civilizados
reduziram a vida dos habitantes da região à penúria.


O Rio Negro, com nascente na Colômbia, é uma das áreas de ocupação européia mais antiga na Amazônia. Em seu clássico Os Índios e a Civilização - A Integração das Populações Indígenas no Brasil Moderno, Darcy Ribeiro diz que desde o século 17 nativos dessa região eram submetidos a "descimentos" tanto por missões religiosas como cativeiro em mãos de colonos.
"Descimento" é um termo da época para se referir aos índios que eram capturados no interior do País e levados ao litoral como escravos.

A violência do passado deixou cicatrizes. Elas ainda são visíveis entre as 20 diferentes etnias da região, herdeiras de três diferentes famílias lingüísticas: tucano, aruaque e macu.
Citando o antropólogo Curt Nimuendaju, com informações datadas de 1950, o antropólogo diz que ainda nos primeiros anos deste século quatro grupos eram claramente distinguíveis, tanto por suas culturas quanto pelas línguas, ao longo do Rio Negro.
O primeiro era formado por população mestiça, cruzamento de europeus com índias dos "descimentos". Essa gente se entendia no nheengatu (do tupi "língua boa") ou língua geral, introduzida na região por missionários, colonos e escravos índios. Eles se concentravam no Baixo Rio Negro, em torno da cidade de São Gabriel da Cachoeira.
O segundo grupo era remanescente de povos da língua aruaque, que haviam alcançado um sofisticado desenvolvimento em cerâmica, lavoura, construção de canoas, tecelagem, habitações coletivas e armas de guerra como a zarabatana, dardos envenenados, escudos.
O terceiro grupo reunia povos de língua tucano vindos do oeste e com cultura menos elaborada. Eles assimilaram elementos aruaques. O quarto era formado por povos de línguas diversas, todos de cultura rudimentar. Com os contatos, eles foram se "aruaquizando" e "tucanizando".

Os 300 anos de civilização e catequese já haviam reduzido suas vidas à penúria, mas eles ainda enfrentavam novos choques. De um lado com os caucheiros (coletores de caucho, látex de segunda categoria), seringuerios e balateiros que vinham tanto da Colômbia, pelo Rio Uaupés, quanto pelo Negro.
De outro, sofreram com a sedução dos regatões, barcos comerciantes que ainda hoje desenvolvem seus negócios em certas regiões da Amazônia e são conhecidos pelas práticas irregulares no trato com os índios e seringueiros. Os regatões minaram com aguardente as últimas reservas morais desses índios em decadência e, no final, venderam-nos aos caucheiros como mercadoria ordinária. Por último, na trilha dos regatões, vieram os missionários salesianos. Esses religiosos, segundo Darcy Ribeiro, "apesar de não ser a menor calamidade, não era a menos deletéria, pela intolerância às manifestações da cultura indígena".
Como forma de resgatar os valores morais e religiosos dos índios, os salesianos se lançaram a uma rigorosa cruzada pela selva. Destruíram as malocas, substituindo-as por choças arruadas. As malocas coletivas eram uma das últimas resistências de que dispunham. Na avaliação de Nimuendaju, a habitação coletiva era "o verdadeiro baluarte da organização e tradição primitiva da cultura pagã" que contrariava os planos de conversão espiritual e social.

É ainda Nimuendaju quem relata uma das últimas cenas de danças, na aldeia Urubuquara, à margem esquerda do Uaupés. Em casas de estilo civilizado, com uma única maloca e uma capela, ele surpreendeu os índios numa festa de caxiri, aguardente produzida com mandioca brava.
Da porta da maloca se fazia a recepção aos índios que chegavam, enquanto as mulheres dos hóspedes se pintavam no porto. Os visitantes vinham em fila, trazendo seus arcos ou borduna. O chefe tinha às mãos seu escudo e lança. Os anfitriões, também em fila, deslocavam-se em sentido contrário, cumprimentando os convidados. Só neste momento se falava o tariano, língua hoje praticamente extinta. No mais, se utilizava do tucano.
Nimuendaju descreve os índios como "tímidos e submissos". Conta que pediu para que eles não interrompessem a cerimônia, por sua chegada. Mas os tuxauas, os chefes, aproximavam-se para pedir desculpas. Eles festejavam pela última vez a festa do caxiri, quando se embebedavam e, às vezes, se tornavam violentos, para horror dos religiosos. Era quando a indignação contida escapava inteiramente do controle. Assim esses índios viram seu antigo estilo de vida desaparecer.

Na sede da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), em São Gabriel da Cachoeira, o índio baré Braz de Oliveira Franca viaja mentalmente no tempo. Fala dos avós, das cenas que viu na infância. São danças como o dabucuri e o adabi. Na primeira, as aldeias se confraternizavam em visitas reciprocas. Os que chegavam, traziam produtos que faltavam aos anfitriões. Quando fossem visitados, teriam o mesmo tratamento.
O dabacuri era uma forma típica de os povos indígenas realizar complementações econômicas, necessidades mediadas por festas onde a dança era uma forma de integração. No adabi, ao contrário, os acontecimentos se davam no interior da família, quando se preparava uma jovem para o casamento.
Braz Franca é o presidente da Foirn, entidade que representa 25 mil índios, perto de 10% da população indígena nacional. Por pressão da Foirn foram demarcados, este ano, os 11 milhões de hectares da reserva do Rio Negro.
Ele reconhece que teve apoio da Igreja Católica na conquista legal dessas terras, mas diz que isso não basta para esquecer o passado.

O arcebispo de São Gabriel da Cachoeira, D. Walter Ivan de Azevedo, concorda parcialmente com as críticas de Darcy Ribeiro e Braz Franca. Diz que o antropólogo, senador (na época), é muitas vezes injusto com a Igreja, especialmente com os salesianos, ao longo de sua obra. Ameniza as críticas de Franca argumentando que "os valores do passado eram outros".
Na avaliação do arcebispo, o passado mudou "como resultado de avanços na antropologia, incorporados à evangelização pela missiologia". Para o religioso, as transformações na Igreja ocorreram especialmente a partir do Concílio Vaticano 2º, com Paulo VI, entre 1962 e 1965.
Mas, para os índios da região, pode ser tarde demais. Na comunidade Tapajós, a uma hora de lancha a motor, rio abaixo, o capitão Fortunato Nascimento, líder de uma comunidade de 35 pessoas, não tem memória do passado. Seus pais morreram quando ele era criança. Ele gostaria de ter sabido como viviam no passado. Capitão é o termo que, em algumas comunidades, caracteriza o líder. Nascimento substitui o antigo capitão - que conseguiu um emprego no aeroporto local e se mudou para a cidade - como vem acontecendo com toda a comunidade.

Duas horas abaixo esta a comunidade Camanaus. Lá vivem, em conjunto, cinco etnias diferentes, reunindo 220 pessoas. Eles se entendem na "língua geral". Camanaus é um lugar de uma tranqüilidade triste, onde, segundo o capitão Hermelindo Brazão, "as coisas todas estão indo embora silenciosamente". Em Camanaus também as danças foram esquecidas. Do passado traumático só ficou o alcoolismo, introduzido pelos regatões. Mas essa é uma situação geral ao longo do Rio Negro. Em frente à aldeia, do lado oposto do rio, esta o porto. Ali é onde os barcos de maior porte param, bloqueados pelas corredeiras do rio. Dali só se sobe por terra ou em embarcações pequenas. Carros blindados do Exército preparam-se para deixar o cais, depois de mais uma manobra. Durante uma semana, dois mil homens estiveram reunidos na região, considerada estratégica pelos militares. Para uma garimpeira com filha adolescente, a partida dos soldados é um alívio: "Quando eles chegam aqui, engravidam as meninas e vão embora sem querer saber de nada". (U.C.).

Capitão luta contra a perda da memória
Bisnetos de índios tarianos no Alto Rio Negro só falam potuguês e...

No pátio da aldeia Camanaus, uma velha tariana, vestindo uma bonita saia vermelha, caminha com a leveza de quem se desprendeu da gravidade. A tariana é avó da mulher do capitão Hermelindo Brazão. Os filhos dele não falam o tariano, nem a bisavó se expressa em português. Eles se comunicam pobremente com a bisavó. É uma relação metafórica. A velha tariana e seus contemporâneos estão indo embora no tempo, como se penetrassem uma fresta
entre mundos.


...são incapazes de conversar com a bisavó, que só se expressa em tariano.

A convicção dos que ficam é diferente. Os jovens têm outros valores, conforma-se sem muita convicção o capitão Hermelindo Brazão. Aos 46 anos, nem jovem nem velho, o capitão vive com insegurança uma nova fase de transição. Os valores do mundo exterior chegam no margem oposta, com as barcos que sobem o rio. O bar do porto não tem nenhum suco natural, típico da região, como o maracujá e o caju. Em compensação, uma coca-cola em lata e gelado custa
R$ 0,90. Brazão se queixa de que nunca recebeu qualquer ajuda do Foirn. Camanaus tem uma escola para suas crianças no interior de uma maloca bem arejada. Atrás do quadro-negro amontoam-se sacos de cimento, madeira serrada, barras de ferro e outros materiais para pequenas construções comunitárias. Ele pensa que a perda de memória em sua aldeia poderia ser amenizada com o ensino das línguas nativas. O presidente da Foirn rebate irritado as observações do capitão camanaus. Justifica que a entidade que dirige "não é assistencialista" como se o pedido de Brazão fosse desse teor. O atrito à distância entre os dois homens, como tudo na região, tem raízes fincadas nos últimos 400 anos. A ocupação das terras, a exploração dos índios e a posse de suas mulheres só foi possível com manobras de divisão entre eles. De muitas maneiras, elas permanecem ainda hoje. Os comerciantes de São Gabriel, por exemplo, herdaram dos regatões o hábito de ludibriar os índios. Um hoteleiro local conta indignado que comprou pela metade do preço um estoque de café moído com prazo de vencimento quase no limite. O mesmo produto ele viu ser vendido aos índios acima do preço normal.

Também esses comerciantes continuam abastecendo os índios de álcool. Os capitães Fortunato Nascimento e Hermelindo Brazão gostariam de ver o vício longe de suas comunidades. Mas eles próprios bebem e, às vezes, passam um pouco do limite. Nascimento pondera que faz isso em datas específicas, 19 de março, dia de São José; 3 de julho, dia de São Tomé; e 7 de Setembro, Dia da Pátria. Quando "passa do limite", Nascimento vai se deitar. O mesmo acontece com Brazão. Qualquer um que caminhe por São Gabriel, no entanto, vê índios caídos ou perambulando pelas ruas, sem rumo aparente. Se pudessem se deslocar no tempo, missionários do passado certamente teriam amenizado as restrições ao que consideravam atos selvagens de seus protegidos. A cerimônia do caxiri, por exemplo, acontecia no interior de um ritual que mantinha as raízes culturais e por isso mesmo fortalecia os laços de identidade. O alcoolismo de hoje, ao contrário, talvez seja só uma maneira de esquecer o esquecimento.

Texto de Ulisses Capazoli
Foto de Itamar Miranda/AE
Caderno Extra - O Estado de S. Paulo - 8 de dezembro de 1996







CALMA PESSOAL!

Tenho escrito pouco mesmo, porque está complicado desacelerar. Viver já é complicado mas com uma espada em cima da cabeça é uma phoda de porco-espinho...
Hoje eu desencano e faço uma coisinha ahe!




Quarta-feira, Janeiro 21, 2004



CANABRAVA

A colaboração aí e da Xar de Belém, contando sobre a origem provável da caninha na minha opinião de sóbrio.
No caso da Xar ela afirma que viaja no tempo de vez em quando, quando está com a lata cheia e que foi assim mesmo que aconteceu.
Bem, escrever sobre a cana é no mínimo um pleito de gratidão nosso, dela, meu e vosso, já que quem me lê, certamente bebe.


###############

A origem da Marvada

Antigamente, no Brasil, para se ter melado os escravos colocavam o caldo da cana-de-açúcar em um
tacho e levavam ao fogo. Não podiam parar de mexer até que uma consistência cremosa surgisse.
Um dia, cansados de tanto mexer e com serviços ainda por terminar, os escravos simplesmente pararam e o melado desandou!

O que fazer agora? A saída que encontraram foi guardar o melado longe das vistas do feitor.
No dia seguinte, encontraram o melado azedo (fermentado).

Não pensaram duas vezes e misturaram o tal melado azedo com o novo e levaram os dois ao fogo.
Resultado: o "azedo" do melado antigo era álcool que aos poucos foi evaporando e se formaram no teto do engenho umas goteiras que pingavam constantemente, era a cachaça já formada que pingava (por isso o nome PINGA), e quando batiam nas suas costas marcadas com as chibatadas, ardia muito, por isso o nome "AGUARDENTE".
Caindo em seus rostos e escorrendo até a boca, os escravos viram que a tal goteira dava um barato, e passaram a repetir o processo constantemente.
Hoje, como todos sabem, a pinga é símbolo nacional!

É... faz sentido!




Quinta-feira, Janeiro 15, 2004


CALOR DANADO

Desta vez o conserto do brinquedo coube à avó que fez a cirurgia pélvica do boneco com cola e muito durex para garantir a convalescença do "bisneto".

-Vovô... mas ele está com muito calor!

OK, Resolvido... next...





Quarta-feira, Janeiro 14, 2004




PRAGA BÍBLICA

Cara... diabético sofre com pequenas coisas, né? E este camarada do amendoim é cruel comigo... põe a porra do açúcar pra derreter bem na horinha que eu chego todo dia... sacanagem do bíblia...
Não há de ser nada... na próxima encarnação eu venho uma abelha na Escócia e esse sacana volta uma barata de deserto... em Bagdá!




Domingo, Janeiro 11, 2004


FESTA DE REIS

É uma tradição de mais de 45 anos esta festola das velhinhas e todas comparecem, pelo menos as vivas supõem-se.
Mas ultimamente as mais assíduas, tiveram o mau gosto de morrer, mas todas com certeza já não eram moçoilas saudáveis há muitas festas.
Este ano, 3 não foram por fraturas recentes e não podiam "subir escada", como o prédio é antigo sugeriu-se mudar o endereço este ano para uma casa.
Assim que entendeu a proposta (é surda) a dona da festa pulou em cima da tradição como um peão boiadeiro e segurou a onda e o domicílio tradicional do evento.

-Depois a gente leva um bolinho para elas, a tradição inclui o endereço... faço questão.

Chegado o dia acontece a crise1 : quem guardou a receita do bolo de Reis quando "mamãe morreu" ?
A anfitriã lembrou o nome das 7 meninas que tinham ganho cópias da receita, um prodígio da memória. Só não lembrou que 4 tinham morrido, uma morava na Holanda e 2 estavam em um asilo isoladas pelos filhos.
Graças a esta tal de terneti um dos netos resgatou a receita lá em Amsterdã, que teve que ser ditada para o neto que infelizmente a transmitiu em holandês.
Quem traduziu foi uma amiga que havia 4 anos não era convidada, porque estava de mau com mãe da anfitriã.
Como lembraram finalmente as outras organizadoras, a velha já tinha dois anos de falecida não ia se importar mesmo.
Feito o bolo e telefonadas devidamente, ao resto das meninas sobrou resgatar a reza de Reis. Crise 2.

O problema era que a cantora do grupo também subiu o ano passado, levando junto além da sua fórmula de bolo, a reza dos 3 Reis Magos que recitava pessoalmente havia 60 anos. Como foi súbito seu óbito, não fez em tempo, discípulos que a substituíssem.

Assim não teve outro jeito: convidaram o padre pela primeira vez.
Crise 3.
É claro que ninguém lembrou que 7 eram judias mas toleravam até então a festa, tudo pelo social como Fernando Henrique.
Não vieram 5 de cara... e duas saíram cedo exatamente por isto.

- Vamosh Ésterr... com exte padrre prexente... nein nein, non extarr uma coisa social... é oficial e non fica bein... Falar shallom e raus... se o Rabi Stein sabe...raus raus...non esquece seu bengala...

Na hora de trocar presentes, tem um vasinho safado de porcelana que é repassado todo ano, mas sempre cai para uma das desmemoriadas. Este ano depois de muitos, voltou acidentalmente para quem o comprou há anos atrás e que comentou:

- Que vasinho de mau gosto... como alguém compra uma inutilidade destas?

Comeram o bolo inteiro e ninguém ganhou a prenda!
Como ninguém a achou o anel, nem nos restos do bolo (esqueceram de guardar as 3 fatias das fraturadas) , supuseram que uma delas deve te-lo engolido.
Cogitaram de saber, por necessidades profiláticas do processo eminente de resgate, qual o tamanho do anel com a mestre cuca:

- Caramba! Eu me esqueci da prenda... ou não? Botei ou não botei? Que tamanho era... será que eu comprei?

Com esta dúvida atroz (ou atrás quem sabe) prepararam-se para rezar pedindo este ano, inclusive, proteção para o anel perdido e o anal ameaçado, mas não conseguiram lembrar do nome dos 3 Reis, até que uma das mais veteranas lembra por associação, o nome de um deles:

- Viu gente... é o mesmo daquele cantor Nordestino que tem um bigodão de rabo de andorinha... e como esquecera do nome também puxou ... "eu sou apenas um rapaz ...latino americano..."
Como o padre tinha saído cedo sem dar nem a dica da reza, o jeito foi improvisar na base dos cacos de memória de cada uma, mas pelo menos com os nomes certos dos 3 Reis Magos:
- Belchior, Eleazar e Waldemar!




Quarta-feira, Janeiro 07, 2004


ESTA É DE PORTUGAL

Tenho sido levado a blogs bestiais de Portugal pelas mãos do Filinto nosso leitor e mais novo Luconiano e este blog chamado MEU PIPI muito tem-me feito rir às bandeiras despregadas.
Quero dividir com vocês, meus sacanas de plantão. Doris não mo peças para traduzir porque para o português já está complicado.
Segura aí em baixo o Meu Pipi...
################################

RETALHOS DA VIDA DE UM FODILHÃO
Estou sem empregada. A dona Fernanda despediu-se. Diz que está farta de limpar langonha da pantalha da televisão. Esta gente, hoje em dia, inventa tudo para não trabalhar. O que se passa é o seguinte: em certas noitadas de punheta, a ver o canal 18, gosto de acabar a sarapitola sincronizando o meu esguicho com o do gajo do filme, para que me possa abeirar do televisor e fazer o meu próprio cumshot para a cara da artista. No dia seguinte, a dona Fernanda tinha a missão de limpar o meu Zebra Trinitron (um Black Trinitron com riscas de nhanha), muitas vezes com as próprias unhas, nas partes mais ressequidas. Agora, escassas três semanas e dez frascos de limpa-vidros depois de a ter contratado, diz que está farta. Ora foda-se.

posted by Pipi 2:10 AM Há caralhadas como o caralho!(59)
http://omeupipi.blogspot.com/




Domingo, Janeiro 04, 2004


Ah... geeze, Armando. Os meses atrás, mi informou como a gravidez della estava tão avançada.... but no
birth announcement when Bianca arrived!! Estava me castigando? Quando chegou? Cadê o retrato????? Quero
agora agora!!! E de Fernanda e filinha também!
...
############################

Atenção cambada , esta é a Doris Thurber, que finalmente aceitou escrever a sua coluna aqui no Herois.

E mal topou, eu rapidinho estou pendurando sua estréia antes que ela change her mind .
Sua periodicidade será randômica, tipo quando der na telha, mas vai estar sempre por aqui contando seus causos e comentando o que quiser.
Seu texto será meio em portunglês mas é delicioso e fica mais charmoso por isto mesmo.

Então meninos fiquem aí com a Gringa que ama o Brasil e agora é nossa correspondente lá em cima nos States.



DORIS CONECTION

Ainda não me terminei com meu comunicação p'ra Teaneck League of Women Voters de que sou presidente e não
fiz neum newsletter há três meses. E agora tenho que preparar p'ra novos estudantes e há anos que não
ensinei música. Também tenho que terminar com meus estudantes de inglês: ainda tenho tres semanas p'ra
dar aulas deles no Bergen Community College. Você lembra, eu dissi que não podia com horário que você
deseja, mas talvez, ever so often... como se disse em portugues? A vez em quanto???? E no teu espaço; não
posso suster meu próprio espaço; serei teu "guest writer." OK?

Thanks for the good wishes, and, yes, I'll work in some Villa Lobos songs into their repertoire,
(actually just Jaime Ovale's Azulão for the time being) but I know that's not what you had in mind,
knowing your disdain for Villa Lobos. Well, my director Hector is not too fond of Villa Lobos either.
He adores MPB, though, especially Caetano. I gave him a two-disc set recorded in Bahia... can't remember
the name of it ... and he was tão animado. I think I told you my new (new as of fifteen months ago) choir
director / organist at my church job is from Cuba, Hector Hernandez. It is he who promoted me for this
teaching position working with his students.

I'll await the photos and more news and send you more hugs and kisses in the mean time,
Doris




Sábado, Janeiro 03, 2004




FRIENDS TUPINIQUIM

A gente ia se encontrar pela primeira vez depois de 30 anos de diáspora da turma. Tinha nego que não se via havia quase 40 anos, o que era o caso da minha primeira namoradinha e eu.

De longe dava para ver que tinham colocado uma faixa escrita, amarrada nas arvores da Pracinha onde a gang se reunia e estava escrito lá: REUNIÃO DA TURMA DA URCA DE 60.

Não explicava se de 1960 ou de 60 anos, aniuei, à medida que a gente se aproximava (era no fim da minha rua mesmo) dava para reconhecer aqueles que não se afastaram e bem lá na esquina, estava a namoradinha, que estava como eu imaginava, escrita a figura da sua mãe.

Saí logo abraçando e beijando enquanto ela me segredava ao ouvido:

-Armandinho... você está me confundindo com a sua amiga... minha filha... que está sentadinha ali no banco...

Eu não perdi o rebolado e emendei no meio:

-Eu sei é claro Dona...Dona... vai memóriazinha de merda...vai... Daysy, mas também sinto saudades suas... a Senhora está a mesma... incrível!

Não sei se colou, se colou agora eu estraguei tudo... era a sogrona mesmo cara... e eu ali querendo virar fumaça!

É claro que ao longo destes próximos 5 anos de reuniões de fim de ano, acho que a gente deve ter cometido muita gafe uns com os outros, o que no meu caso é mais que defensável, por eu ter meu alvará de maluco desde muito tempo e averbado por estes meninos e meninas.

Este ano, como sempre, resolvemos no peito e na hora nos reunirmos e muitos não estavam no Rio. A data também complicou na hora de arranjar um botequim .
Na verdade tentamos 3 e nada, tudo cheio ou fechado. Acabamos quase que reabrindo o Aurora que nos recebeu de braços abertos e portas arriadas.

Pena não termos fotografado, nós ali entre as mesas empilhadas e 15 garçons só para nós.
Nossos agradecimentos ao pessoal do Amílcar que faz jus a fama e a casa de 103 anos que não são um século á toa.

Ano que vem seus putos... não se esqueçam da maquina digital, holográfica, super dooper scooper , 4D, a porra que for... mas tragam a bosta...